A razão da emoção

Imagine você no primário

Recebendo elogios da professora

Voltar para casa e encontrar sua mãe

Como se nada tivesse acontecido

Ou dar o primeiro beijo,

Sem sentir o coração pular,

Quase que saindo pela boca

Junto com o carinho do momento

O pedido de namoro,

De noivado…

O SIM!

Todos serenos

Imagine você sem o choro da alegria do nascimento

Da sua razão de viver ser apenas racional

Imagine só ouvir a primeira palavra

E continuar lendo o jornal para saber da política do país.

Pense, por um momento, o primeiro dia de aula

Sem aperto no coração.

Ou no dia em que se formar… e nada.

Imagine a felicidade sem emoção

O alívio sem a apreensão

É como o sim

Sem o não

A emoção está para ser sentida,

Ser medida

Mesmo não tendo como quantificar

Ou dimensionar

Os olhos entregarão

O sorriso denunciará

A emoção de ser feliz

E a felicidade de se emocionar

Autor: Thiago Petrin

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Trilha Sonora II

O primeiro está com 30 e ainda ouve She Loves You, mas não tão alto como antes. Além disso já flerta com Let it Be, principalmente quando quer relaxar. O segundo ainda não existe e ainda não está em pauta.

Porém, após cinco anos o segundo nasce. É dia de alegria e dá-lhe She Loves You no último volume para comemorar! Mas Let it Be mais à noite o fez bem. De cinco em cinco as coisas mudam e, aos cinco do segundo,  o primeiro quer o máximo de silêncio possível e percebe que  Let it Be faz o segundo dormir. Une o útil ao agradável após um dia intenso de brincadeiras.

As viagens são complicadas aos 10 do segundo. Afinal este não tem culpa dos cabelos brancos e ouvidos mais sensíveis do primeiro. Logo, vamos colocar She loves You bem alto na ida. Algumas horas de sono após chegarem para passar a dor de cabeça e pronto. A volta é a paz de Let it Be, afinal, o dia seguinte é de batente.

Pulam-se cinco e chegam as épocas terríveis. Simplesmente precisam de dois rádios. Quando o primeiro coloca Let it Be, o segundo compete, com mais potências em suas caixas (maldita hora de comprar aquele mini system), com She Loves You, que os vizinhos de outro bairro conseguiriam ouvir. Aniversários são complicados. O primeiro coloca She Loves You para agradar, mas é começar a dançar que o segundo fica com vergonha. “Na frente dos meus amigos não”, diz. As viagens são complicadas pelas brigas na disputa dos volumes. O primeiro até coloca She Loves You, mas “ninguém é surdo aqui!” o segundo fica puto com a volta tendo que ouvir Let it Be.

55 e 20. Começa a haver uma confusão. O primeiro simplesmente não ouve mais o segundo, que ouve She Loves You fora de casa. A tranquilidade dos ouvidos contrasta com a preocupação do coração, que o faz até se flagrar limpando o pó de She Loves You só para lembrar do segundo.

Aos 25, o segundo até ouve Let it Be, mas apenas com a namorada junto. O primeiro só lembra em conversas de quando ouvia e ainda tinha pernas para dançar. Aos 30, mesmo com as diferenças, os dois conversam sobre música, quem diria.

35. Sensações curiosas no segundo. Ao mesmo tempo em que colocou She loves You no último volume por não caber em felicidade, ao chegar a casa do primeiro, ouvir Let it Be o fez ficar tranquilo.

De cinco em cinco as coisas mudam, e cinco para frente o segundo tem de ouvir She Loves You alto contra a vontade, mas sempre coloca Let it Be quando pode. Além da paz aos ouvidos, o faz lembrar do primeiro. Pena que não podem mais ouvir juntos.

Os cinco a mais não perdoam. Ouvir She Loves You? Sim, porém mais baixo. Dançar, só se for escondido, para não envergonhar o terceiro. Let it Be é um hino, mas quase não a ouve, pois acaba lacrimejando. Prefere pula quatro músicas e ouvir The Long and Winding Road.

 

Autor: Thiago Petrin

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O Consertador de Lunetas

Penso em ir lá fora para dar uma volta na noite e aproveitar o clima quente, passear e espairecer. Acabo não saindo, já que é evidente que indo sozinho eu ficarei com frio. Preciso fazer o jantar, mas não quero cozinhar apenas para mim essa noite. Sei que acabarei ficando com fome, mesmo comendo a panela inteira sozinho… Não faz sentido? É o que mais falei para mim.

Então, quando peguei o DeLorean entendi melhor ao olhar tudo por outro ângulo. E nem adianta querer intervir e fechar a minha boca do passado… Nessa hora, a rua acaba antes das 88 milhas, eu abro os olhos e volto para hoje.

Por isso eu falo para você pegar sua luneta, porque eu já (ou finalmente) peguei a minha, e vi a paisagem que nunca tinha visto antes. Aquela mesma que você me falava enquanto eu lia o manual em chinês da minha luneta empoeirada e não entendia nada.

Mas, pelo visto, a sua luneta quebrou durante o tempo em que eu lutava, porque achava que minha terra estava sendo colonizada, e por isso agia como um índio quando, na verdade, não passava de uma revitalização, e que foi muito bem sucedida, por sinal. Hoje tenho tudo pronto para receber seu povo.

Porém, se há terra à vista, não é mais a minha, continuando ela a ser apenas uma ilha. O que resta é fazer o que sempre fiz, mas com menos capricho. Ter um hobby de volta, e dando voltas e voltas para voltar a jogar tênis aos finais de semana depois de ter vendido as raquetes.

O que sobra é fazer rir…

Rir por fora. Porém, sério, constatar calado aqui dentro… Eu sem você não tem graça.

 

Autor: Thiago Petrin

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