Rapidinhas de Natal III

dezembro 28, 2009

Na Ceia

- Fico muito feliz que estejamos todos aqui. Agradeço muito que você tenha vindo Jussara.

- O que é isso Alberto. Estava na hora mesmo de passar o Natal, os dois, com nossos filhos. Afinal, nos separamos há tanto tempo…

- Ainda bem que pensa assim. Ainda bem! Todos se dando bem, harmonicamente. Não é mesmo meu amor?

- Sim, mas assim, Jussara, fala menos e me passa o sal, por favor?

- Claro. Logo vi que você é meio sem sal…

E o marido se engasgou…


Rapidinhas de Natal II

dezembro 14, 2009

Na Amante

- Não acredito que a toupeira da sua esposa realmente acreditou que você tinha uma viagem de negócios na época do Natal.

- Não fale assim dela, vai. É que há oportunidades que não podemos perder a chance, senão a concorrência toma a nossa frente hehe.

- Ai, deixe ela para lá que já vai dar meia noite… 5, 4, 3, 2, 1.

- Feliz Natal amor. Olha seu presente aqui. Espero que goste…

- Nossa, é lindo, Augusto. Deixa eu ver o cartão… Augusto?!?

- Sim.

- Por que o cartão está em nome da sua esposa, Augusto?

- O quê?!?! Eu não acredito que…

E o celular dele tocou…


Rapidinhas de Natal

dezembro 9, 2009

Na Sala

- Olha só o que o Papai Noel me deu de presente! Uma bicicleta. Muito mais legal do que esse Joguinho idiota que você ganhou.

- Hum…

- Você deveria ter vergonha de ter sido um menino tão mal criado esse ano. Porque só assim para ganhar um presente tão cafona assim.

- Huhum…

- Seus pais devem se envergonhas de você. Meu Deus, um joguinho tão michuruco assim…

-…

- E aí, não vai falar nada? Está tão envergonhado que não cons…

- Papai Noel não existe!

- Mãeeeeee…


Desespero de um Francisco

novembro 10, 2009

Deixo que as águas invadam meu rosto da forma mais bonita.

Caminhando na ponta dos pés,

Eu vou sair por aí afora,

Vagar pela noite, como se fosse a última.

Mas se a vida mesmo assim não melhorar,

O meu coração, quando eu me revelar,

Nunca terá meu sorriso.

 

Dono do abandono e da tristeza,

Olhando aquele inferno,

Esse meu sofrimento pode agora despertar o que me é de direito.

Esse silêncio todo me atordoa

Como se fosse o único espinho cravado em minha garganta,

Que é de comer e cuspir,

Que não deve nada a ninguém

E some nas altas da madrugada.

 

Luz, quero luz

Pra suportar e assistir mais um dia,

Seguir minha jornada,

Ver o inferno e maravilhas até não poder resistir.

 

O que será de mim?

Para um coração mesquinho

Um dia surgiu, brilhante, minha vida.

Olha o que é que eu fiz!

 

Me perdoe, por favor!

Eu era o rei que um dia a fogueira queimou.

Eu era um louco a perguntar

“O que é que a vida vai fazer de mim?”

Eu sei que fui feliz…

Quem sabe, eu fui feliz.

Foi tudo ilusão passageira…

Não vale a pena despertar!

 

Pode ser que você venha,

Por mero favor,para ver,

Ouvir que eu chorei,

Que eu morri,

Que estou louco,

Que eu estou sozinho! E tem mais.

 

Quando chegar o momento,

Essa palavra presa na garganta também pode ter seu valor.

Cada lágrima rolada no meu peito

Me leva para meu desencanto,

Que, seja lá como for, meus olhares evita.

 

Que vontade de chorar.

Gosto de me ver chorar!

Não querem mais ouvir as minhas mazelas

Que eu faço tanta questão.

De eu não ter como lutar,

Que o luar está chamando,

Que eu vou me conhecer inteiro,

Que eu entrego os pontos.

 

Que o meu desalento por me deixar respirar,

Por me deixar existir, já não tem mais fim.

Mas vou até o fim.

Como era de se esperar, amanhã tudo volta ao normal.

Seja o que Deus quiser.

 

Autor: Thiago Petrin França


Rapidinhas

setembro 24, 2009

Amigo Secreto

Bem, meu amigo secreto é uma pessoa fantástica, companheira, sempre está comigo, para comemorar nos momentos bons…

E a esposa se enchendo de orgulho…

- … para acolher, nos momentos ruins… Enfim, se eu for ficar aqui falando sobre essa pessoa, a noite inteira vai passar, porque ficaria dias apenas elogiando.

A esposa, já com os olhos cheios de lágrimas levanta de sua cadeira e abraça o marido:

- Nossa, Amor, nunca ouvi uma declaração de amor tão linda na minha vida! Obrigada …

- Mas querida, meu amigo secreto é o Chicão.

- O que?

Os olhares de todos se voltam para o marido.

- Que foi?

Autor: Thiago Petrin França


Néctar

setembro 18, 2009


Não há nada como tomar um bom whisky. Uma dose bem servida em um copo Logotipado apropriado do mais puro néctar dos pensadores ativos. O stress diminui sensivelmente, trazendo a calmaria dos deuses para dentro da sua sala. Você percebe sua concentração aumentando, os ruídos urbanos tornam-se coadjuvantes, e já não são mais um incômodo como há minutos. Nada importa mais do que o próximo pensamento. E nele, você reflete sua vida, a transforma, aumenta seu salário, ou até mesmo pede demissão. Não há problema, você é poderoso, nada pode te deter. Traça planos inimagináveis, fica rico com seus empreendimentos que vão bem, viaja o mundo, conhece lugares turísticos, sempre ao lado de uma bela companhia.

As idéias fluem na toada compassada dos movimentos anti-horários do copo em sua mão. A tranqüilidade que passa ao ver aquela porção de cevada maltada liquefeita molhando sutilmente a lateral do seu copo. A cada gole uma ilusão, uma fantasia boa, um passo a mais para longe do mundo. A degustação é lenta, afinal, para que a pressa? O prazer está em chegar devagar ao ideal. A sobrevivência torna-se algo promissor, e não o martírio de instantes atrás, tornando, assim, a vida cheia de expectativas e benefícios. As risadas aumentam, porque, sim, seus amigos estão felizes junto de você. Todos. Reunidos em casas cinematográficas, em um churrasco animado e com requinte. Abraços, beijos, música, crianças as quais não sabe ao certo se são seus filhos, ou sobrinhos, ou, até mesmo… netos. Sim, por que não? São netos.

Estranhamente, aqueles mesmos ruídos urbanos já fazem parte da sua trilha sonora, mas tendo o mesmo efeito de violinos afinados e ensaiados regendo harmonicamente e exclusivamente para você. Nada, absolutamente nada atrapalhará o seu sucesso. O último gole traz saudade já daquilo que não veio. Mas ao olhar para frente, depara-se com mais dois terços de fantasias terapêuticas engarrafada e se anima, pois percebe que a noite demorará a acabar.

Autor: Thiago Petrin França


A Consulta

agosto 10, 2009

- O Dr Rosimal já irá atendê-lo!

- Oi? Ah, muito obrigado.

Sim, eu estava entregue. Precisava encarar a situação de frente. Já não dava mais para aceitar aquilo. O consultório era muito bonito. A atendente era muito atraente também. Mas ela tinha aquilo muito mais do que eu. Todos tinham. Todos! Todos cheios, cheios de cabelos! Fios longos, curtos, mechas, penteados. A moda moderna capilar, acho eu, particularmente, muito feia. Mas eles podem ser feios. Eles podem tentar. E os meus? Me abandonam. Como filhos rebeldes fujões. Aos bandos. Minha cabeça lembrava mais o Bangu 1, tamanha facilidade de fuga. Mas eu estava lá, com a cara e a coragem.

- Sr, sente-se aqui, por favor. Precisamos fazer a ficha.

- Sem problemas.

Ela estava ali, sentada à minha frente com um sorriso extremamente sarcástico. Devia estar pensando “O que kojak veio fazer aqui? Quer desvendar o assassino de suas raízes capilares?”. Eu sabia que era isso.

- Em que posso ajudar? Qual o problema?

“Como se você não soubesse… A canalha está olhando para mim. Mas… Não para meus olhos. Ela… ela está olhando… para as minhas entradas!?!?! Tenho certeza. Eu poderia ameaçá-la com o seu bico de pato. Seria refém de seus próprios objetos.”

- Então, sabe como é, meus cabelos estão caindo descontroladamente.

- Hum. Entendo.

“Entende? Ah, quer dizer então que você entende? Menos mal não?”

- Mas vou avisando que cabelo não nasce do dia para a noite, ou seja, se mantiver os que estão aí já será um sucesso. Há pacientes que querem visitar o dr achando que ele fará milagre.

“Sucesso? Sucesso? Agora eu estou feliz, note a minha felicidade… NOTE!!! Você é médica por um acaso”

- Mas por quê? Será que Não tem mais jeito?

-Veja bem, O sr tem problemas de queda de cabelos…

“Ah, nossa, Obrigado! A atendente enxerida e cabeluda desvendou o meu problema. Serei eternamente grato a essa percepção que até um cego faria”.

- Entendo. Ficarei satisfeito em manter os sobreviventes.

- O Doutor já está a sua espera. Pode entrar.

- Obrigado.

Caminhava lentamente ao consultório. Ao entrar, vejo o Doutor sentado e escrevendo algo em seu caderno de anotações. Deparo-me então com uma das mais impressionantes e lustradas carecas que já vi. Era impressionante. Poderia me arrumar para um casamento olhando apenas para aquela massa de pele lisa e brilhante. Meu Deus! Sentia-me o Pepeu Gomes perto dele.

- Em que posso ajudar?

- Oi? Não, é que, o dr sabe, minha mulher insistiu muito para que eu viesse aqui doutor. São essas manchas, manchinhas bem aqui doutor. O dr. vê?  

- Não, não vejo nada.

- É, então, aparecem mais à noite. Dá para entender?

O sorriso estava estampado. Não me continha em alegria. E eu reclamando da vida…

- Pode ser algo que o sr tenha ingerido. Andou comendo algo de diferente?

- Com certeza Dr. Deixei de comer aquele peixe de água doce, esqueci o nome… aquele… Grandinho…

- Hum, sei. Bom, se o Senhor melhorou então nem tenho o que receitar. Se voltar a alergia o Senhor volte aqui e examinaremos.

- Obrigado Doutor

- Interessante. A secretária havia me passado uma ficha constando problemas de quedas capilares. Havia até pensado em receitar o remédio que eu passo nos meus.

“Ele ainda passa remédio?!?!? O frasco dele deve durar uns três anos, no mínimo.”

- Olha dr, ela deve ter trocado as fichas. Houve um senhor que falou com ela e foi embora, deve ter sido ele. Pode ser que ficou constrangido.

- É, deve ter sido isso mesmo. Pode ir.

Fui embora saltitante. O tempo me castigará, eu sei. Mas, coitado. Não poderia fazer aquilo com ele. Estaria reclamando de barriga cheia. Com ele foi uma debandada. Ao vê-lo, pensei até em deixar meus cabelos crescerem e fazer tranças. Sabe? Como estão fazendo hoje em dia? A moda pega…

Autor: Thiago Petrin França


Ativistas

agosto 4, 2009

Certa vez, em meados de 2007, os principais líderes mundiais se reuniram para solucionar um problema que estava incomodando muito a todos eles: a pobreza e a desigualdade social. Líderes do norte, do sul, do leste e do oeste do mundo estavam juntos, a fim de solucionar esse empecilho, esse mal que estava prejudicando a muitas pessoas. Muitas! E o debate começou fervoroso…!

Evidentemente, algumas idéias foram descartadas a princípio, por isso citarei aqui apenas as que foram mais ouvidas. Um dos representantes do norte, pequeno, de fala simples e olhar profundo, levantou e disse: “Por que não exterminamos os pobres? Desta forma, a pobreza acabaria por completo!”. Começou a balburdia. “Como é que pode alguém pensar em algo tão absurdo”, diziam. E os jornais, as revistas… o que iriam escrever? E os ativistas? Ah, os ativistas…! A idéia foi definitivamente descartada. Outro líder, mas esse de um país do hemisfério sul, gesticulando muito se pronunciou: “O que precisamos é dar oportunidade aos pobres, e, assim, acabar com a desigualdade”. “Mas como?” Perguntaram alguns. Silêncio… Precisava pensar. Como fazer isso? Após alguns minutos de profundos ou profanos pensamentos, chegou à conclusão de que o ato benéfico de não exterminar os pobres, se bem divulgado, seria visto como uma grande oportunidade para os menos favorecidos. Legal! Mas o que mudaria? Vamos refletir. Estavam pobres. Depois, condenados. Agora, continuam pobres, porém, não mais serão exterminados. Percebeu a diferença? É interessante como, às vezes, uma idéia ajuda a outra. Mas havia os ativistas…! Certamente eles criticariam. O primeiro líder citado também quis exterminar os ativistas, mas foi apenas em um lapso de fúria.

Algo precisava ser feito. Não poderia aquela situação continuar sem uma solução. Um outro conceituado líder de Estado, magro e alto, solicitou o direito à palavra. Garbosamente, disse em bom tom que em seu país não havia pobreza, tão pouco desigualdade social, também por ter, em seu nobre guia de ruas, apenas quatro páginas. Mas estava disposto a ajudar uma causa tão nobre e de fundamental importância para o mundo, seu grande desejo. Alguns chefes de Estados da região mais antiga do mundo sugeriram algumas alternativas. Mas eram idéias bombásticas demais e causariam um impacto muito grande.

Há quem diga que um homem alto, cabelos longos, barbas longas e olhar sereno, sem pedir a palavra, disse calmamente: “Por que não há uma melhor divisão de renda e uma menor exploração dos menos favorecidos? Por que não dão aos pobres o que deles é de direito?” Um imenso ataque de risos tomou conta de todos. Perguntaram insistentemente quem havia dito aquela engraçada anedota, mas quem a proferiu não estava mais no local. A reunião terminou pouco depois. O resultado? Podemos notar nas ruas. Principalmente nas ruas. É apenas uma questão de ponto de vista. O que nunca foi desvendado é quem era o misterioso homem que saiu antes do encontro acabar. Provavelmente algum ativista…

Autor: Thiago Petrin França


Trilha Sonora

julho 24, 2009

O Nascimento. Momento de uma descoberta muito maior do que se poderia imaginar. Nada em sua volta lhe é familiar, mas você resiste bravamente, e , como um bom homem, chora. O choro de alegria comovente de sua mãe é a primeira música que lhe vem aos ouvidos, em meio a bombas que decoram o visual do outro lado do oceano. O conforto do colo materno lhe atrai e o faz apreciar aquela sinfonia carinhosa.

Durante algum tempo, músicas de ninar tomam coro em seu dia-a-dia. Sem entender muito bem o porquê, um sono tranqüilo vem a dominar o seu pequenino corpo. As falas avançam e você passa a completar as últimas palavras das musiquinhas, agora mais alegres, mais divertidas, junto de sua mãe.  Com algumas músicas a mais, você passa a cantarolar com amigos, em rodas de ciranda, Quadrilhas Juninas ou na levada de brincadeiras. Mas não mais aquelas músicas que sua mãe cantava. Aquilo era coisa para criança, não é mesmo? À noite, ver seu pai ao lado do rádio ouvindo um tal de Sinatra, causa uma admiração que você mesmo não entende. Simplesmente fica olhando aquele cansado homem, sentado, com o olhar parado, pensando longe, notando o prazer que lhe proporcionam aquelas palavras que, certamente, não sabe o que dizem, mas que fazem todo o sentido ao senti-las, silenciosamente.

De repente, você se depara com um topetudo, vestido com roupas extravagantes, chamado Elvis Presley. E não é que ele dança bem? Vira uma febre. Géis e mais géis tomam conta de seu armário. É um arraso.

Ah, mas você queria conhecer mais. Quando quatro rapazes de Liverpool colocam o mundo de cabeça para baixo, você dança bailes ao som de A hard days nigth, e diz que quer segurar a mão da moça, fazendo alusão ao outro hit. Janis Joplin, Johnny Rivers, Rolling Stones, tomam conta de seus dias. O fim do mês nunca foi tão esperado. Assim que o pagamento vem, você corre para a loja de discos. Porém, musicas e bailes diminuem, e Let it be começa a prender mais a sua atenção. Love me Do soa nostálgico. É claro que com Satisfation tocando você ainda arrisca uns passos, mas nada de exagero.

Led Zeppelin conduz sua lua de mel. As calças ficam com bocas maiores que sua cintura, e você teima em não cortar esse cabelo. Seu filho tem a sorte de, além das músicas de ninar que ouve, conseguir adormecer em seu colo ao compasso de wish you were here. Eric Clapton o tranqüiliza nos momentos de brigas. Elton John o faz dançar para fazer as pazes. Acontece… No Domingo, “Gitá” e “Al Capone” animam o churrasco com a família.

Os discos vão aumentando na coleção e você lamenta por Iron Maiden não ter surgido antes. Gostaria de ter ido a um show, mas se tudo der certo, seu filho o representará com louvor.  “Vocês acham que isso é cabelo? Vocês precisavam ver o Elvis, aquilo que era atitude”. Essa frase nunca falha quando assiste a Jump. Van Halen definitivamente não o comove. Algumas coisas você não entende, mas acaba cedendo e compra o disco da Legião Urbana para seu filho. Essa história de estar pelado e com a mão no bolso o faz rir. Essa juventude não tem mais o que inventar. 

É normal, após a morte de um artista, nós começarmos a admirar mais suas obras. “Regra 3” faz muito mais sentido agora, mas “Gente humilde “ é muito triste, prefere ouvir “Brasil”, com Cazuza.

“Na minha época, os jovens usavam roupas novas para sair com as meninas, e não essas roupas velhas rasgadas!” É, mas não há como lutar contra a onda Grunge. Você também foi rebelde para a sua época, por isso não peça para seu filho abaixar o volume de Smells Like Teen Spirit. Não existem mais músicas boas. Redescobre então Bee Gees na hora certa. “Como não gostava antes?” Essa pergunta nunca terá resposta…

Quando Oasis toca é inevitável o comentário “esses aí querem ser iguais aos Beatles, mas não tem comparação, vocês precisavam ver…” Cold Play, Vines, Hives, nada mais lhe toca. Ouvir “Gente humilde” lhe traz as lágrimas ao lembrar da sua infância. “Minha história” traz lembranças maternais. Revira discos antigos e acha Roberto Carlos. Lembra-se então que cantava “Despedida” nos dias que sua mulher o abraçava brincando de não querer deixá-lo ir trabalhar. Porém, agora, o último verso lhe soa muito mais longo.

Estranhamente as músicas de roda voltam vivas à sua cabeça. Canta sempre a todos as músicas que cantava para seu filho e que ouvia de sua mãe. Ao lembrar delas mentalmente o sono bate mais forte.   Até chegar o sono mais tranqüilo que já teve.

Autor: Thiago Petrin França


Rapidinhas

julho 22, 2009

Na cama

 

- Amor, o jantar estava delicioso.

- De verdade?

- Sim. Muito bom mesmo. Nossa, passei mal de tanto comer…

- Hum. Bem que eu vi que você sumiu uma hora. Então foi por isso? A Rutinha até saiu para te procurar, demorou tanto e disse que não havia achado.

- Claro amor. Eu estava no banheiro…

- Que estranho… Quando perguntamos por que a Rutinha havia demorado tanto, ela disse que não tinha te achado e que aproveitou para ir ao banheiro…

- E daí?

- Como e daí, Rosivaldo?!? Como e daí? Esqueceu que temos apenas um banheiro na casa?

- Ela mente! Mente, entendeu? Ela é uma mentirosa sem escrúpulos.

- Meu amor, ela é sua prima…

- Isso é o que ela diz!

E foram dormir.

 

Autor: Thiago Petrin França.