Trilha Sonora II

agosto 14, 2014

O primeiro está com 30 e ainda ouve She Loves You, mas não tão alto como antes. Além disso já flerta com Let it Be, principalmente quando quer relaxar. O segundo ainda não existe e ainda não está em pauta.

Porém, após cinco anos o segundo nasce. É dia de alegria e dá-lhe She Loves You no último volume para comemorar! Mas Let it Be mais à noite o fez bem. De cinco em cinco as coisas mudam e, aos cinco do segundo,  o primeiro quer o máximo de silêncio possível e percebe que  Let it Be faz o segundo dormir. Une o útil ao agradável após um dia intenso de brincadeiras.

As viagens são complicadas aos 10 do segundo. Afinal este não tem culpa dos cabelos brancos e ouvidos mais sensíveis do primeiro. Logo, vamos colocar She loves You bem alto na ida. Algumas horas de sono após chegarem para passar a dor de cabeça e pronto. A volta é a paz de Let it Be, afinal, o dia seguinte é de batente.

Pulam-se cinco e chegam as épocas terríveis. Simplesmente precisam de dois rádios. Quando o primeiro coloca Let it Be, o segundo compete, com mais potências em suas caixas (maldita hora de comprar aquele mini system), com She Loves You, que os vizinhos de outro bairro conseguiriam ouvir. Aniversários são complicados. O primeiro coloca She Loves You para agradar, mas é começar a dançar que o segundo fica com vergonha. “Na frente dos meus amigos não”, diz. As viagens são complicadas pelas brigas na disputa dos volumes. O primeiro até coloca She Loves You, mas “ninguém é surdo aqui!” o segundo fica puto com a volta tendo que ouvir Let it Be.

55 e 20. Começa a haver uma confusão. O primeiro simplesmente não ouve mais o segundo, que ouve She Loves You fora de casa. A tranquilidade dos ouvidos contrasta com a preocupação do coração, que o faz até se flagrar limpando o pó de She Loves You só para lembrar do segundo.

Aos 25, o segundo até ouve Let it Be, mas apenas com a namorada junto. O primeiro só lembra em conversas de quando ouvia e ainda tinha pernas para dançar. Aos 30, mesmo com as diferenças, os dois conversam sobre música, quem diria.

35. Sensações curiosas no segundo. Ao mesmo tempo em que colocou She loves You no último volume por não caber em felicidade, ao chegar a casa do primeiro, ouvir Let it Be o fez ficar tranquilo.

De cinco em cinco as coisas mudam, e cinco para frente o segundo tem de ouvir She Loves You alto contra a vontade, mas sempre coloca Let it Be quando pode. Além da paz aos ouvidos, o faz lembrar do primeiro. Pena que não podem mais ouvir juntos.

Os cinco a mais não perdoam. Ouvir She Loves You? Sim, porém mais baixo. Dançar, só se for escondido, para não envergonhar o terceiro. Let it Be é um hino, mas quase não a ouve, pois acaba lacrimejando. Prefere pula quatro músicas e ouvir The Long and Winding Road.

 

Autor: Thiago Petrin


O Consertador de Lunetas

abril 14, 2014

Penso em ir lá fora para dar uma volta na noite e aproveitar o clima quente, passear e espairecer. Acabo não saindo, já que é evidente que indo sozinho eu ficarei com frio. Preciso fazer o jantar, mas não quero cozinhar apenas para mim essa noite. Sei que acabarei ficando com fome, mesmo comendo a panela inteira sozinho… Não faz sentido? É o que mais falei para mim.

Então, quando peguei o DeLorean entendi melhor ao olhar tudo por outro ângulo. E nem adianta querer intervir e fechar a minha boca do passado… Nessa hora, a rua acaba antes das 88 milhas, eu abro os olhos e volto para hoje.

Por isso eu falo para você pegar sua luneta, porque eu já (ou finalmente) peguei a minha, e vi a paisagem que nunca tinha visto antes. Aquela mesma que você me falava enquanto eu lia o manual em chinês da minha luneta empoeirada e não entendia nada.

Mas, pelo visto, a sua luneta quebrou durante o tempo em que eu lutava, porque achava que minha terra estava sendo colonizada, e por isso agia como um índio quando, na verdade, não passava de uma revitalização, e que foi muito bem sucedida, por sinal. Hoje tenho tudo pronto para receber seu povo.

Porém, se há terra à vista, não é mais a minha, continuando ela a ser apenas uma ilha. O que resta é fazer o que sempre fiz, mas com menos capricho. Ter um hobby de volta, e dando voltas e voltas para voltar a jogar tênis aos finais de semana depois de ter vendido as raquetes.

O que sobra é fazer rir…

Rir por fora. Porém, sério, constatar calado aqui dentro… Eu sem você não tem graça.

 

Autor: Thiago Petrin


Dia Internacional da Mulher

março 7, 2014

É inerente a afeição pelas mulheres

Vem do inconsciente do bom gosto

Que surge mesmo que sem querer

Sem pensar

E, quando percebemos,

Estamos respirando mais fundo

Boquiabertos

Parados

Pensativos

Com mais perguntas do que respostas

Afinal, somos mais retos

Impossível entender a complexidade de tantas curvas

Sejam elas nos gestos

Nos traços

Nas soluções

Com certezas que apenas vão em direção à admiração

Só nos resta então agradecer

Vocês fazem muito bem para o mundo

 

08/03-Dia Internacional da Mulher

 

Autor: Thiago Petrin


Dúvidas de Natal

dezembro 9, 2013

Dúvidas de Natal – 1

− Pai, se o Natal é o nascimento de Cristo, por que o Natal não é o Ano novo?

− Como assim, filho?

− É. Pensa só. Ouvi hoje no Catecismo que os anos são contados de “antes de cristo” e “depois de cristo”… Então deveria ser no ano novo, não é?

− Hum… Pergunte ao padre semana que vem.

− Eu perguntei já

− E ele?

− Disse que eu estava falando em hora errada e atrapalhando a aula

− Viu só? Olha o que dá falar fora de hora!

− Mas e a resposta, Pai?

− Hum… É por causa da mortalidade infantil, filho. Era muito alta naquela época, então eles esperavam uma semana para ter certeza de que o bebê não morreria.

− E o que é mortalidade infantil, Pai?

− Shiiiu! Quieto que eu estou vendo Tv. Lembre-se do que o padre disse sobre falar fora de hora!

− Mas, Pai…

− E se não for um bom menino, não ganha presente, hein!

Dúvidas de Natal – 2

− Papai Noel não existe!

− Claro que existe, filho.

− É uma farsa, Pai. Você também é enganado! Como que ele consegue chegar meia noite em todas as casas ao mesmo tempo?

− Hum… Tá, não devia contar esse segredo. Papai Noel é ilusionista, filho!

− É mesmo?!?

− Sim… por isso que ele aparece ao mesmo tempo.

− Mas como ele faz isso?

− Hum… ele… ele… jogo de espelhos! É isso que ele faz!

− Ohhhh… incrível, Mas e como que ele entrega presentes diferentes?

− É… bem… hum… Sedex 10

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero…

2.1…

− Papai, como que o Papai Noel consegue estar ao mesmo tempo em todos os lugares?

− Já te disse que é jogo de espelhos!

− Mas e o fuso-horário? Se aqui no Brasil é Noite, no japão já até passou o Natal!

− Olha, eu acho que se você está pensando todas essas besteiras é porque não está estudando direito. Deixa eu ver seu caderno de lição. Se estiver com notas ruins, Papai Noel não traz presente. O que aprendeu hoje na aula?

− Aprendi sobre fuso-horário, papai.

− Porcaria de escola… Quer sorvete?

− Quero!

 

2.2…

− Papai, nós não temos espelho na sala.

− E daí?

− Mas, se é jogo de espelhos, como que ele aparece na sala, se lá não tem espelhos…

− Hum… Isso era antes… bem antes… lá quando eu era criança. Hoje não é mais assim.

− E como é?

− Hum… Projeção 3D!

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero!

Feliz Natal!

Autor: Thiago Petrin


Qual é a pior solidão?

outubro 14, 2013

Estar em um lugar cheio de gente e ao mesmo tempo sentir-se completamente só. Estar sozinho, querer companhia, mas não conseguir saber ao certo de quem, ou não poder estar com ela.

Há aquela míngua de atenção que você teima não se abastecer, mas faz toda falta cada vez que olha para o lado e não vê nada. Nessas horas, sempre que aparece um espelho, você olha por mais tempo. Fica ali, com olhar fixo, algo como uma esperança ou uma vontade de que fosse outra pessoa ali, ou pelo menos ao seu lado. Então se apoia na cuba, encara, respira e sai.

Em público, você “mata a fome” da carência com “fast foods”. Pega um sorriso aqui, um “olá” ali, um carinho momentâneo acolá. Mas têm efeitos tão passageiros quanto são as pessoas que ajudaram.

Falam que é bom estar sozinho. Estar com “você mesmo”. Pode até ser que momentos de reflexão sejam importantes. Mas sim quando é um “estar” sozinho, não um “ser”, ou “sentir-se”. O maior desespero de uma voz é não ser ouvida. Todo mundo é mudo quando não há quem ouça o que está sendo dito.

Quando a sua melhor companhia está longe, ou você está no lugar errado, ou está escolhendo errado.

Autor: Thiago Petrin


Leve

setembro 16, 2013

O jeito de levar a vida é deixá-la mais leve

O cotidiano já pesa tanto

A seriedade já pesa tanto

Os compromissos já pesam tanto…

 

Seja breve

Só se for para as tristezas

Deixe-as para a inerência que são do ser

E não as estimule

Seja leve

 

Afinal,

Se não estiver disposto a rir

Pode ir ao show do comediante mais engraçado

Assistir ao filme mais engraçado

Falar com o amigo mais engraçado

E não sorrirá nem de canto de boca

 

Agora,

Pode até não estar disposto a chorar

Mas, se houver algo realmente triste

Não conseguirá segurar

 

Riso contagia

Mas apenas àqueles que estão no mundo

Esteja nele

 

Se algum amigo te magoar

Lembre-se de tudo que ele já fez de bom para você

Se chatear algum amigo

Não se esqueça de pedir desculpas

 

Se chamar para dançar

Aceite

Se combinarem

Formem um par

Se não for seu ritmo

Apenas balance

Ele fará o mesmo por você

 

Deixe a inerência para o ser primitivo

Pegue o restante da essência que consegue dominar

E contagie-se

 

 

Autor: Thiago Petrin


maio 25, 2013

Todo mundo se sente sozinho em algum momento.  Naquele, sozinho, você com você mesmo, com seu monitor, com seu copo. É a hora em que se pega com o olho arregalado, olhando atento, fixo para o nada. O olhar distante, que vai lembrar, procurar, achar, enxergar aquela pessoa que não está hoje. E que provavelmente não estará amanhã e nem depois, pois, se fosse para estar, não precisaria ir tão longe para achá-la, justamente na hora em que sua cabeça está vazia, pensando longe e sua pessoa sozinha. É nessa hora que você desperta, olha para baixo e reflete. Olha para o lado, onde está o copo. Toma um gole, pensa, suspira e respira… Fundo. E procura quem está mais perto. E se anima… Até a próxima olhada fixa para o nada…


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