O Consertador de Lunetas

abril 14, 2014

Penso em ir lá fora para dar uma volta na noite e aproveitar o clima quente, passear e espairecer. Acabo não saindo, já que é evidente que indo sozinho eu ficarei com frio. Preciso fazer o jantar, mas não quero cozinhar apenas para mim essa noite. Sei que acabarei ficando com fome, mesmo comendo a panela inteira sozinho… Não faz sentido? É o que mais falei para mim.

Então, quando peguei o DeLorean entendi melhor ao olhar tudo por outro ângulo. E nem adianta querer intervir e fechar a minha boca do passado… Nessa hora, a rua acaba antes das 88 milhas, eu abro os olhos e volto para hoje.

Por isso eu falo para você pegar sua luneta, porque eu já (ou finalmente) peguei a minha, e vi a paisagem que nunca tinha visto antes. Aquela mesma que você me falava enquanto eu lia o manual em chinês da minha luneta empoeirada e não entendia nada.

Mas, pelo visto, a sua luneta quebrou durante o tempo em que eu lutava, porque achava que minha terra estava sendo colonizada, e por isso agia como um índio quando, na verdade, não passava de uma revitalização, e que foi muito bem sucedida, por sinal. Hoje tenho tudo pronto para receber seu povo.

Porém, se há terra à vista, não é mais a minha, continuando ela a ser apenas uma ilha. O que resta é fazer o que sempre fiz, mas com menos capricho. Ter um hobby de volta, e dando voltas e voltas para voltar a jogar tênis aos finais de semana depois de ter vendido as raquetes.

O que sobra é fazer rir…

Rir por fora. Porém, sério, constatar calado aqui dentro… Eu sem você não tem graça.

 

Autor: Thiago Petrin


Dia Internacional da Mulher

março 7, 2014

É inerente a afeição pelas mulheres

Vem do inconsciente do bom gosto

Que surge mesmo que sem querer

Sem pensar

E, quando percebemos,

Estamos respirando mais fundo

Boquiabertos

Parados

Pensativos

Com mais perguntas do que respostas

Afinal, somos mais retos

Impossível entender a complexidade de tantas curvas

Sejam elas nos gestos

Nos traços

Nas soluções

Com certezas que apenas vão em direção à admiração

Só nos resta então agradecer

Vocês fazem muito bem para o mundo

 

08/03-Dia Internacional da Mulher

 

Autor: Thiago Petrin


Dúvidas de Natal

dezembro 9, 2013

Dúvidas de Natal – 1

− Pai, se o Natal é o nascimento de Cristo, por que o Natal não é o Ano novo?

− Como assim, filho?

− É. Pensa só. Ouvi hoje no Catecismo que os anos são contados de “antes de cristo” e “depois de cristo”… Então deveria ser no ano novo, não é?

− Hum… Pergunte ao padre semana que vem.

− Eu perguntei já

− E ele?

− Disse que eu estava falando em hora errada e atrapalhando a aula

− Viu só? Olha o que dá falar fora de hora!

− Mas e a resposta, Pai?

− Hum… É por causa da mortalidade infantil, filho. Era muito alta naquela época, então eles esperavam uma semana para ter certeza de que o bebê não morreria.

− E o que é mortalidade infantil, Pai?

− Shiiiu! Quieto que eu estou vendo Tv. Lembre-se do que o padre disse sobre falar fora de hora!

− Mas, Pai…

− E se não for um bom menino, não ganha presente, hein!

Dúvidas de Natal – 2

− Papai Noel não existe!

− Claro que existe, filho.

− É uma farsa, Pai. Você também é enganado! Como que ele consegue chegar meia noite em todas as casas ao mesmo tempo?

− Hum… Tá, não devia contar esse segredo. Papai Noel é ilusionista, filho!

− É mesmo?!?

− Sim… por isso que ele aparece ao mesmo tempo.

− Mas como ele faz isso?

− Hum… ele… ele… jogo de espelhos! É isso que ele faz!

− Ohhhh… incrível, Mas e como que ele entrega presentes diferentes?

− É… bem… hum… Sedex 10

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero…

2.1…

− Papai, como que o Papai Noel consegue estar ao mesmo tempo em todos os lugares?

− Já te disse que é jogo de espelhos!

− Mas e o fuso-horário? Se aqui no Brasil é Noite, no japão já até passou o Natal!

− Olha, eu acho que se você está pensando todas essas besteiras é porque não está estudando direito. Deixa eu ver seu caderno de lição. Se estiver com notas ruins, Papai Noel não traz presente. O que aprendeu hoje na aula?

− Aprendi sobre fuso-horário, papai.

− Porcaria de escola… Quer sorvete?

− Quero!

 

2.2…

− Papai, nós não temos espelho na sala.

− E daí?

− Mas, se é jogo de espelhos, como que ele aparece na sala, se lá não tem espelhos…

− Hum… Isso era antes… bem antes… lá quando eu era criança. Hoje não é mais assim.

− E como é?

− Hum… Projeção 3D!

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero!

Feliz Natal!

Autor: Thiago Petrin


Qual é a pior solidão?

outubro 14, 2013

Estar em um lugar cheio de gente e ao mesmo tempo sentir-se completamente só. Estar sozinho, querer companhia, mas não conseguir saber ao certo de quem, ou não poder estar com ela.

Há aquela míngua de atenção que você teima não se abastecer, mas faz toda falta cada vez que olha para o lado e não vê nada. Nessas horas, sempre que aparece um espelho, você olha por mais tempo. Fica ali, com olhar fixo, algo como uma esperança ou uma vontade de que fosse outra pessoa ali, ou pelo menos ao seu lado. Então se apoia na cuba, encara, respira e sai.

Em público, você “mata a fome” da carência com “fast foods”. Pega um sorriso aqui, um “olá” ali, um carinho momentâneo acolá. Mas têm efeitos tão passageiros quanto são as pessoas que ajudaram.

Falam que é bom estar sozinho. Estar com “você mesmo”. Pode até ser que momentos de reflexão sejam importantes. Mas sim quando é um “estar” sozinho, não um “ser”, ou “sentir-se”. O maior desespero de uma voz é não ser ouvida. Todo mundo é mudo quando não há quem ouça o que está sendo dito.

Quando a sua melhor companhia está longe, ou você está no lugar errado, ou está escolhendo errado.

Autor: Thiago Petrin


Leve

setembro 16, 2013

O jeito de levar a vida é deixá-la mais leve

O cotidiano já pesa tanto

A seriedade já pesa tanto

Os compromissos já pesam tanto…

 

Seja breve

Só se for para as tristezas

Deixe-as para a inerência que são do ser

E não as estimule

Seja leve

 

Afinal,

Se não estiver disposto a rir

Pode ir ao show do comediante mais engraçado

Assistir ao filme mais engraçado

Falar com o amigo mais engraçado

E não sorrirá nem de canto de boca

 

Agora,

Pode até não estar disposto a chorar

Mas, se houver algo realmente triste

Não conseguirá segurar

 

Riso contagia

Mas apenas àqueles que estão no mundo

Esteja nele

 

Se algum amigo te magoar

Lembre-se de tudo que ele já fez de bom para você

Se chatear algum amigo

Não se esqueça de pedir desculpas

 

Se chamar para dançar

Aceite

Se combinarem

Formem um par

Se não for seu ritmo

Apenas balance

Ele fará o mesmo por você

 

Deixe a inerência para o ser primitivo

Pegue o restante da essência que consegue dominar

E contagie-se

 

 

Autor: Thiago Petrin


maio 25, 2013

Todo mundo se sente sozinho em algum momento.  Naquele, sozinho, você com você mesmo, com seu monitor, com seu copo. É a hora em que se pega com o olho arregalado, olhando atento, fixo para o nada. O olhar distante, que vai lembrar, procurar, achar, enxergar aquela pessoa que não está hoje. E que provavelmente não estará amanhã e nem depois, pois, se fosse para estar, não precisaria ir tão longe para achá-la, justamente na hora em que sua cabeça está vazia, pensando longe e sua pessoa sozinha. É nessa hora que você desperta, olha para baixo e reflete. Olha para o lado, onde está o copo. Toma um gole, pensa, suspira e respira… Fundo. E procura quem está mais perto. E se anima… Até a próxima olhada fixa para o nada…


Invejas Cruzadas

maio 7, 2013

− Amor, vou sair hoje com o Ronaldo.

− Aquele seu amigo gay, de novo?

−Sim. Preciso ajudar com umas dicas para o buffet dele.

− Hum…

− O que foi?

− Nada, amor… Vai lá. Qualquer dia traga ele aqui para almoçar com a gente.

− Ainda bem que você é bonzinho. Beijinhos…

− Beijos.

− Amor? Olha o que eu trouxe para você!

− Nossa! Mas que jaqueta linda. Ei… mas nem é data especial nossa.

− E daí. Quero ver sempre meu marido bem vestido.

− Hum… Mulher, você tem outro e quer me agradar, é?

− Ai, que horror, Roberto. A gente não pode nem dar mais um presente.

− Sei. Hum… Então deve estar querendo alguma coisa. O que é?

− Ah, não é querendo comprar você, mas podíamos ir, no fim de semana, para praia. O que acha?

− Ok… ok… Vamos!

− Ai. Obrigada amor. Te amo!

− Olá, Rosa. Como vai?

− Bem, Amanda. E você e o Roberto?

− Ah. Arrastando né.

− Fiquei sabendo. Inclusive as meninas no salão disseram que apareceu um Príncipe aí na sua vida.

− Pois é, menina. Não paro de pensar nele. Falei até com o Roberto para irmos para a praia no fim de semana, para ver se assim apaga um pouco esse fogo que estou. Comprei um presente para ele e ele aceitou. E você com o Pedro?

− Ah, estamos bem. Farei uma festa surpresa de aniversário dele no buffet do Ronaldo.

− Ahhh, o Ronaldo é um amor… E um desperdício aquele homem lindo ser gay hein.

− Pois é, menina. Bom, mas espero que vocês se acertem.

− Ai, que inveja do seu casamento.

− Fala Roberto, beleza?

− Pedrão! Tranquilo e você?

­− Ah, cara. Mais ou menos. Sei que estou virando vitrola quebrada, mas acho mesmo que a Rosinha tem outro. Não sei o que faço.

− Mas como assim, cara?

− Ah. De novo saindo com aquele “amigo gay” dela que eu nunca vi.

− Ih, Rapaz. Sério? Por que você não a segue?

− Medo, cara. Medo de ver a verdade. Enfim. Não sei o que eu faço. Pior que tem a Paloma, do setor de vendas que está dando mole. Ela já é demais, ainda mais com a esposa vacilando assim… Mas eu sou uma besta que no fundo não consigo fazer nada.

− É, Pedrão. Você sabe que não sou o conselheiro mais certo para isso. Você me conhece… Ahhh Paloma… Dá mole para o homem errado hein. Se fosse comigo… Se minha mulher me ouve falando isso, me mata.

− Bom, penso nisso depois. E você com a Amanda, como estão?

− Poxa, Pedro. Estamos ótimos. A Amanda faz tudo por mim, me enche de presentes, é carinhosa… E agora quer ir para a praia. Acho que para ter uma segunda Lua de Mel ou algo assim. Senão até chamava vocês.

− Relaxa. A Rosa disse que estaria ocupada esse fim de semana também, provável que fazendo consultoria de novo para esse amigão gay dela aí.

− Entendi. Bom, mas espero que vocês se acertem.

− Que inveja do seu casamento.

Autor: Thiago Petrin


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