Trilha Sonora II

O primeiro está com 30 e ainda ouve She Loves You, mas não tão alto como antes. Além disso já flerta com Let it Be, principalmente quando quer relaxar. O segundo ainda não existe e ainda não está em pauta. Porém, após cinco anos o segundo nasce. É dia de alegria e dá-lhe She Loves You no último volume para comemorar! Mas Let it Be mais à noite o fez bem. De cinco em cinco as coisas mudam e, aos cinco do segundo,  o primeiro quer o máximo de silêncio possível e percebe que  Let it Be faz o segundo dormir. Une o útil ao agradável após um dia intenso de brincadeiras. As viagens são complicadas aos 10 do segundo. Afinal este não tem culpa dos cabelos brancos e ouvidos mais sensíveis do primeiro. Logo, vamos colocar She loves You bem alto na ida. Algumas horas de sono após chegarem para passar a dor de cabeça e pronto. A volta é a paz de Let it Be, afinal, o dia seguinte é de batente. Pulam-se cinco e chegam as épocas terríveis. Simplesmente precisam de dois rádios. Quando o primeiro coloca Let it Be, o segundo compete, com mais potências em suas caixas (maldita hora de comprar aquele mini system), com She Loves You, que os vizinhos de outro bairro conseguiriam ouvir. Aniversários são complicados. O primeiro coloca She Loves You para agradar, mas é começar a dançar que o segundo fica com vergonha. “Na frente dos meus amigos não”, diz. As viagens são complicadas pelas brigas na disputa dos volumes. O primeiro até coloca She Loves You, mas “ninguém é surdo aqui!” o segundo fica puto com a volta tendo que ouvir Let it Be. 55 e 20. Começa a haver uma confusão. O primeiro simplesmente não ouve mais o segundo, que ouve She Loves You fora de casa. A tranquilidade dos ouvidos contrasta com a preocupação do coração, que o faz até se flagrar limpando o pó de She Loves You só para lembrar do segundo. Aos 25, o segundo até ouve Let it Be, mas apenas com a namorada junto. O primeiro só lembra em conversas de quando ouvia e ainda tinha pernas para dançar. Aos 30, mesmo com as diferenças, os dois conversam sobre música, quem diria. 35. Sensações curiosas no segundo. Ao mesmo tempo em que colocou She loves You no último volume por não caber em felicidade, ao chegar a casa do primeiro, ouvir Let it Be o fez ficar tranquilo. De cinco em cinco as coisas mudam, e cinco para frente o segundo tem de ouvir She Loves You alto contra a vontade, mas sempre coloca Let it Be quando pode. Além da paz aos ouvidos, o faz lembrar do primeiro. Pena que não podem mais ouvir juntos. Os cinco a mais não perdoam. Ouvir She Loves You? Sim, porém mais baixo. Dançar, só se for escondido, para não envergonhar o terceiro. Let it Be é um hino, mas quase não a ouve, pois acaba lacrimejando. Prefere pula quatro músicas e ouvir The Long and Winding Road.   Autor: Thiago Petrin

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Néctar


Não há nada como tomar um bom whisky. Uma dose bem servida em um copo Logotipado apropriado do mais puro néctar dos pensadores ativos. O stress diminui sensivelmente, trazendo a calmaria dos deuses para dentro da sua sala. Você percebe sua concentração aumentando, os ruídos urbanos tornam-se coadjuvantes, e já não são mais um incômodo como há minutos. Nada importa mais do que o próximo pensamento. E nele, você reflete sua vida, a transforma, aumenta seu salário, ou até mesmo pede demissão. Não há problema, você é poderoso, nada pode te deter. Traça planos inimagináveis, fica rico com seus empreendimentos que vão bem, viaja o mundo, conhece lugares turísticos, sempre ao lado de uma bela companhia.

As idéias fluem na toada compassada dos movimentos anti-horários do copo em sua mão. A tranqüilidade que passa ao ver aquela porção de cevada maltada liquefeita molhando sutilmente a lateral do seu copo. A cada gole uma ilusão, uma fantasia boa, um passo a mais para longe do mundo. A degustação é lenta, afinal, para que a pressa? O prazer está em chegar devagar ao ideal. A sobrevivência torna-se algo promissor, e não o martírio de instantes atrás, tornando, assim, a vida cheia de expectativas e benefícios. As risadas aumentam, porque, sim, seus amigos estão felizes junto de você. Todos. Reunidos em casas cinematográficas, em um churrasco animado e com requinte. Abraços, beijos, música, crianças as quais não sabe ao certo se são seus filhos, ou sobrinhos, ou, até mesmo… netos. Sim, por que não? São netos.

Estranhamente, aqueles mesmos ruídos urbanos já fazem parte da sua trilha sonora, mas tendo o mesmo efeito de violinos afinados e ensaiados regendo harmonicamente e exclusivamente para você. Nada, absolutamente nada atrapalhará o seu sucesso. O último gole traz saudade já daquilo que não veio. Mas ao olhar para frente, depara-se com mais dois terços de fantasias terapêuticas engarrafada e se anima, pois percebe que a noite demorará a acabar.

Autor: Thiago Petrin França

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O Consertador de Lunetas

Penso em ir lá fora para dar uma volta na noite e aproveitar o clima quente, passear e espairecer. Acabo não saindo, já que é evidente que indo sozinho eu ficarei com frio. Preciso fazer o jantar, mas não quero cozinhar apenas para mim essa noite. Sei que acabarei ficando com fome, mesmo comendo a panela inteira sozinho… Não faz sentido? É o que mais falei para mim.

Então, quando peguei o DeLorean entendi melhor ao olhar tudo por outro ângulo. E nem adianta querer intervir e fechar a minha boca do passado… Nessa hora, a rua acaba antes das 88 milhas, eu abro os olhos e volto para hoje.

Por isso eu falo para você pegar sua luneta, porque eu já (ou finalmente) peguei a minha, e vi a paisagem que nunca tinha visto antes. Aquela mesma que você me falava enquanto eu lia o manual em chinês da minha luneta empoeirada e não entendia nada.

Mas, pelo visto, a sua luneta quebrou durante o tempo em que eu lutava, porque achava que minha terra estava sendo colonizada, e por isso agia como um índio quando, na verdade, não passava de uma revitalização, e que foi muito bem sucedida, por sinal. Hoje tenho tudo pronto para receber seu povo.

Porém, se há terra à vista, não é mais a minha, continuando ela a ser apenas uma ilha. O que resta é fazer o que sempre fiz, mas com menos capricho. Ter um hobby de volta, e dando voltas e voltas para voltar a jogar tênis aos finais de semana depois de ter vendido as raquetes.

O que sobra é fazer rir…

Rir por fora. Porém, sério, constatar calado aqui dentro… Eu sem você não tem graça.

 

Autor: Thiago Petrin

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Trilha Sonora

O Nascimento. Momento de uma descoberta muito maior do que se poderia imaginar. Nada em sua volta lhe é familiar, mas você resiste bravamente, e , como um bom homem, chora. O choro de alegria comovente de sua mãe é a primeira música que lhe vem aos ouvidos, em meio a bombas que decoram o visual do outro lado do oceano. O conforto do colo materno lhe atrai e o faz apreciar aquela sinfonia carinhosa.

Durante algum tempo, músicas de ninar tomam coro em seu dia a dia. Sem entender muito bem o porquê, um sono tranqüilo vem a dominar o seu pequenino corpo. As falas avançam e você passa a completar as últimas palavras das musiquinhas, agora mais alegres, mais divertidas, junto de sua mãe.  Com algumas músicas a mais, você passa a cantarolar com amigos, em rodas de ciranda, Quadrilhas Juninas ou na levada de brincadeiras. Mas não mais aquelas músicas que sua mãe cantava. Aquilo era coisa para criança, não é mesmo? À noite, ver seu pai ao lado do rádio ouvindo um tal de Sinatra, causa uma admiração que você mesmo não entende. Simplesmente fica olhando aquele cansado homem, sentado, com o olhar parado, pensando longe, notando o prazer que lhe proporcionam aquelas palavras que, certamente, não sabe o que dizem, mas que fazem todo o sentido ao senti-las, silenciosamente.

De repente, você se depara com um topetudo, vestido com roupas extravagantes, chamado Elvis Presley. E não é que ele dança bem? Vira uma febre. Géis e mais géis tomam conta de seu armário. É um arraso.

Ah, mas você queria conhecer mais. Quando quatro rapazes de Liverpool colocam o mundo de cabeça para baixo, você dança bailes ao som de A hard days nigth, e diz que quer segurar a mão da moça, fazendo alusão ao outro hit. Janis Joplin, Johnny Rivers, Rolling Stones, tomam conta de seus dias. O fim do mês nunca foi tão esperado. Assim que o pagamento vem, você corre para a loja de discos. Porém, músicas e bailes diminuem, e Let it be começa a prender mais a sua atenção. Love me Do soa nostálgico. É claro que com Satisfation tocando você ainda arrisca uns passos, mas nada de exagero.

Led Zeppelin conduz sua lua de mel. As calças ficam com bocas maiores que sua cintura, e você teima em não cortar esse cabelo. Seu filho tem a sorte de, além das músicas de ninar que ouve, conseguir adormecer em seu colo ao compasso de wish you were here. Eric Clapton o tranqüiliza nos momentos de brigas. Elton John o faz dançar para fazer as pazes. Acontece… No Domingo, “Gitá” e “Al Capone” animam o churrasco com a família.

Os discos vão aumentando na coleção e você lamenta por Iron Maiden não ter surgido antes. Gostaria de ter ido a um show, mas se tudo der certo, seu filho o representará com louvor.  “Vocês acham que isso é cabelo? Vocês precisavam ver o Elvis, aquilo que era atitude”. Essa frase nunca falha quando assiste a Jump. Van Halen definitivamente não o comove. Algumas coisas você não entende, mas acaba cedendo e compra o disco da Legião Urbana para seu filho. Essa história de estar pelado e com a mão no bolso o faz rir. Essa juventude não tem mais o que inventar.

É normal, após a morte de um artista, nós começarmos a admirar mais suas obras. “Regra 3” faz muito mais sentido agora, mas “Gente humilde “ é muito triste, prefere ouvir “Brasil”, com Cazuza.

“Na minha época, os jovens usavam roupas novas para sair com as meninas, e não essas roupas velhas rasgadas!” É, mas não há como lutar contra a onda Grunge. Você também foi rebelde para a sua época, por isso não peça para seu filho abaixar o volume de Smells Like Teen Spirit. Não existem mais músicas boas. Redescobre então Bee Gees na hora certa. “Como não gostava antes?” Essa pergunta nunca terá resposta…

Quando Oasis toca é inevitável o comentário “esses aí querem ser iguais aos Beatles, mas não tem comparação, vocês precisavam ver…” Cold Play, Vines, Hives, nada mais lhe toca. Ouvir “Gente humilde” lhe traz as lágrimas ao lembrar da sua infância. “Minha história” traz lembranças maternais. Revira discos antigos e acha Roberto Carlos. Lembra-se então que cantava “Despedida” nos dias que sua mulher o abraçava brincando de não querer deixá-lo ir trabalhar. Porém, agora, o último verso lhe soa muito mais longo.

Estranhamente as músicas de roda voltam vivas à sua cabeça. Canta sempre a todos as músicas que cantava para seu filho e que ouvia de sua mãe. Ao lembrar delas mentalmente o sono bate mais forte.   Até chegar o sono mais tranqüilo que já teve.

Autor: Thiago Petrin França

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Dúvidas de Natal

Dúvidas de Natal – 1

− Pai, se o Natal é o nascimento de Cristo, por que o Natal não é o Ano novo?

− Como assim, filho?

− É. Pensa só. Ouvi hoje no Catecismo que os anos são contados de “antes de cristo” e “depois de cristo”… Então deveria ser no ano novo, não é?

− Hum… Pergunte ao padre semana que vem.

− Eu perguntei já

− E ele?

− Disse que eu estava falando em hora errada e atrapalhando a aula

− Viu só? Olha o que dá falar fora de hora!

− Mas e a resposta, Pai?

− Hum… É por causa da mortalidade infantil, filho. Era muito alta naquela época, então eles esperavam uma semana para ter certeza de que o bebê não morreria.

− E o que é mortalidade infantil, Pai?

− Shiiiu! Quieto que eu estou vendo Tv. Lembre-se do que o padre disse sobre falar fora de hora!

− Mas, Pai…

− E se não for um bom menino, não ganha presente, hein!

Dúvidas de Natal – 2

− Papai Noel não existe!

− Claro que existe, filho.

− É uma farsa, Pai. Você também é enganado! Como que ele consegue chegar meia noite em todas as casas ao mesmo tempo?

− Hum… Tá, não devia contar esse segredo. Papai Noel é ilusionista, filho!

− É mesmo?!?

− Sim… por isso que ele aparece ao mesmo tempo.

− Mas como ele faz isso?

− Hum… ele… ele… jogo de espelhos! É isso que ele faz!

− Ohhhh… incrível, Mas e como que ele entrega presentes diferentes?

− É… bem… hum… Sedex 10

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero…

2.1…

− Papai, como que o Papai Noel consegue estar ao mesmo tempo em todos os lugares?

− Já te disse que é jogo de espelhos!

− Mas e o fuso-horário? Se aqui no Brasil é Noite, no japão já até passou o Natal!

− Olha, eu acho que se você está pensando todas essas besteiras é porque não está estudando direito. Deixa eu ver seu caderno de lição. Se estiver com notas ruins, Papai Noel não traz presente. O que aprendeu hoje na aula?

− Aprendi sobre fuso-horário, papai.

− Porcaria de escola… Quer sorvete?

− Quero!

 

2.2…

− Papai, nós não temos espelho na sala.

− E daí?

− Mas, se é jogo de espelhos, como que ele aparece na sala, se lá não tem espelhos…

− Hum… Isso era antes… bem antes… lá quando eu era criança. Hoje não é mais assim.

− E como é?

− Hum… Projeção 3D!

− Oi?

− Quer sorvete?

− Quero!

Feliz Natal!

Autor: Thiago Petrin

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Pavê

- Outra vez pavê, Edmar? Ela não sabe fazer outra coisa?

– Mas amor, o pavê dela é muito bom. Todos adoram.

– Mas, Edmar, pelo amor de Deus, eu não aguento mais pavê no Natal, Edmar. Todo ano, todo ano, todo ano, Edmar.

– Meu bem, não coma o pavê então… ninguém vai reparar.

– Você quer dizer o que com isso, Edmar? Que ninguém repara em mim? É isso? É claro! Eu fico enfornada nessa porcaria de cozinha!

– Pronto… Claro que reparam… minha lindinha, eu reparo em você…

– Edmar, você repara em mim, Edmar? Você bebe que nem um cabrito, começa a sambar no meio da turma e vai dormir… é sempre a mesma coisa, sempre a mesma coisa! Edmar você precisa se tratar. Olha, Edmar você não consegue se controlar com a bebida, isso é grave e eu não vou passar vergonha esse ano de novo! Você não pense que eu vou…

– Precisa colocar o pavê na geladeira amor.

– Ah, é verdade. Edmar, eu não aguento mais esse pavê. Eu não aguento mais o Natal, Edmar…

– Como assim? É o Nascimento de Cristo.

– Ele nasce e eu pago o pato. É assim que tem que ser? Edmar, todo ano a mesma coisa. Eu fico nesse forno gigante que é essa cozinha, faço a comida para um bando de gente vir aqui comer. As donzelas ficam ali sentadas esperando a comida ficar pronta. Sua irmã sempre traz o pão recheado com atum. Seu primo Zézinho sempre briga com a mulher porque ela rebola demais… Vadia!

– Mas o que é isso meu amor?!?!

– E não é? Vai dizer que ela não é. Então tá. Vou começar a dançar como ela… rebolar pra todo mundo ver e…

– Ok… ok… Ela é vadia.

– A Dona Olga sempre reclama da minha lasanha. Por que essa velha não vem fazer então? Eu fico dias comprando as coisas, Edmar… dias! Para essa velha vir falar que eu não alimento você direito, Edmar…

– Amor… assim, essa “velha” ainda é a minha mãe. Você podia pegar mais leve ao falar dela né?

– É uma velha. Ué? To falando mentira? E esse pavê? Ahhhh deixa que eu vou acabar logo com isso…

– Não, amor, mas o que é isso?!?! Me dá isso aqui! Você ia jogar o pavê no lixo? Mas o que é isso… Você está ficando louca?

– Eu não aguento mais esse pavê, Edmar.

– Você faz Tender todos os anos também e ninguém fala nada.

– É a tradição, Edmar. Faça-me um favor. Tra-di-ção! Ou o Papai Noel também tem que variar o modelito dele todo ano porque vermelho saiu de moda?

– Ok. Amor. Esqueça o pavê. Tá? Vamos para lá… com todos… comer.

– Esse pavê….

– Relaxa… vamos lá… você está linda.

– Essa lasanha, está um pouco sem molho, você não acha, Edmar?

– Edmar, essa velha louca está me provoncando…

– Calma amor. Minha mãe gosta de muito molho. Você sabe disso.

– Eu sempre digo: Lasanha tem que ter molho… Senão perde o gosto. Não é mesmo, Rose?

– Sim, dona Olga. É Verdade.

– “Mimimi- mimimi… Dona Olga”… Vadia!

– Amor! Controle-se

– Ah, eu falei baixinho… não me tire do sério, Edmar.

– Eu?!?

– Éééé, você.

– E vocês, lindinhos, não querem mais a minha lasanha?

– Ah não, tia. A vovó disse que estava muito seca. Vamos esperar o pavê

– Mas não é possível, Edmar! Ela está doutrinando seus sobrinhos contra mim. É um complô da sua mãe com a sua prima. Aquela vadia ta querendo impor o pavê dela. A única. A única receita que essa limitada sabe fazer… a cretina quer me tirar do sério… Eu sempre falei que ela era a fim de você, Edmar… Edmar? Você está me ouvindo?

– Ô lê-lê. Ô La-la. Se o presente não vier, o bicho vai pegar! Pega mais uma cerveja para mim, meu amor?

– Pavêêêê!!! Oba… Tia, coloca um pedação pra mim!!!

– Claro… lindinho… Pirralhinho….

– O que está acontecendo? Não vai comer Pavê?

– Não, Obrigada, Rose. Apenas vou servir… Comi muita lasanha.

– Você é que está certa. Tem que fazer regime mesmo. Na sua idade ainda por cima, que é mais difícil emagrecer…

– CHEGA!!! JÁ CHEGA!!!

-Amor…

– Que amor o escambau! Agora você me ouve? Seu pé de cana desenfreado!

– Mas o que é isso?

-O que é isso o que? Hein? A minha lasanha é muito seca, Dona Olga? Quem ta precisando de um “molhinho” é a sua pele, mais seca do que o Nordeste! A senhora está parecendo um maracujá de feira. Cansei de ouvir de uma velha rabugenta como eu devo cozinhar…

– Não Fala assim da minha tia!

– Ah, vá tomar conta da sua mulher que você ganha mais… Aquela vadia. Fica se esfregando em todo mundo no pagode!

– Eu?

– É isso mesmo… você!!! Cansei! Cansei! Cansei desse pavê todos os anos. Não aguento mais esse pavê!

– Tia, cadê o papai Noel? Cadê Meu?

– Papai Noel não existe, moleque!!!

-Oi meu amorzinho…

– Fala, Edmar!

– Tudo certo para o almoço?

– Sim… Todo ano a mesma coisa… sempre atraso, você me conhece. Mas, no fim, acaba dando certo.

– Não tem problema! Não tem problema! Aqui está o doce da Rose.

– Cadê o pavê?

– Não. Esse ano ela trouxe uma torta de morango. Parece estar deliciosa.

– …

– O que foi?

– É que eu gosto tanto do pavê dela. Comia quase metade sozinha.

– Amor?!?!

-O que foi, Edmar?

Enfim… É Natal.

Autor: Thiago Petrin França

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War

Todos levam Deus como uma entidade séria, concentrado em suas atividades divinas e em ajudar as pessoas, sempre com a mão no queixo, analisando atentamente a tudo. Mas a verdade é que Deus tem muito, mas muito senso de humor. E não falo nem dos ornitorrincos, tampouco de Brasília, que já seriam provas contundentes. A verdade é que as traquinagens divinas começaram desde a criação do mundo, aliás, desde a negociação dos prazos:

– Quanto tempo?

– Hum… Dá para fazer em sete dias.

– Sete?!?! Você está maluco?  Vocês são todos iguais. Para não perder trabalho, fazem tudo apertado.

– Eu fiz Marte em quatro.

– Deus, Marte não tem ninguém, não tem água… É uma bola vermelha!

– …

– O que foi?

– Nada…

– O que que? Ok, desculpe. Não quis diminuir seu trabalho.

– Duas luas… Duas luas!! Você sabe o trabalho que dá para fazer duas luas para aquele tamanho de planeta?

– Ok… Desculpe. Não foi por mal.

– Faço em seis e ainda descanso no último dia pra você!

– Ok… ok… Não vamos discutir isso. Meu assistente virá aqui para ver como ficou.

Deus tem um problema sério. Esse negócio de ser onisciente e onipresente o deixa com orgulho. Se fala que vai conseguir, vai lá e consegue. Mas esses dons também o ajudaram a aprontar das suas. Assim como todos, Deus também tem os seus momentos de lazer.  É claro que, tendo que estar sempre atento aos nossos pedidos, ele também aproveita e descontrai brincando um pouco conosco. Anedotas sociais causadas pelo Poderoso, para distraí-lo após um lanche, nos seus momentos de folga. Deus tem, em seu quarto, um tipo de vudu terráquio. Uma espécie de tabuleiro de War, mas muito mais incrementado. Ele o abre, escolhe um lugar, e começa com as suas peripécias. Ou você acha que há explicação para aquele congestionamento incrível, em que você fica parado horas e, como por um “milagre”, tudo se abre a sua frente? Ou quando começa a chover assim que você vira o quarteirão, saindo de casa, e só para quando chega ao seu destino? Ou quando dá um fora, por exemplo, é coincidência? Pense bem! Você sempre fala “Por que não fiquei quieto?”, ou “Por que perguntei justo isso?”, e, o mais intrigante, “Como pode? Encontrar essa pessoa justo aqui?”. É… É justamente isso que você está pensando…

– Olá! Tudo bem?

“Não. Não está tudo bem. Não faço idéia de quem você é”

– Tudo sim… É…

– Gisele! Nossa! Não se lembra de mim?

– Ah… claro! Gisele… Gi… Claro que sim. É que estou sem óculos. Não reconheço nem quando me olho no espelho sem eles. Quanto tempo! A última vez que a vi foi na casa do Marcos. E vamos nos encontrar justo aqui, que coisa…

– Na verdade nos vimos na festa que você deu na sua casa, há um mês. Esse dia na casa do Marcos faz meses já.

“Sério. Você me reconheceu para ficar quebrando as minhas pernas? É isso?”

– É verdade. É que aquele dia, tava muito… né? Mas e o que anda fazendo da vida? Ainda trabalhando com pesquisas e matando ratinhos?

“Isso, brinca com a profissão dela, assim você vai controlar a situação!”

– Não mais. Fui despedida. Minha pesquisa foi um fracasso total.

“Muito bem. Muito bem. Mais uma na cara”

-Hum… Mas, mudando de assunto, você é uma possessiva hein, senhorita Gisele!

– Eu? Por quê?

– O Marcos foi em casa sábado e disse que tinha que sair correndo para buscar a namorada para ir ao bar. Se ele atrasar você briga com ele é?

– Marcos e eu não estamos mais juntos. Ele me trocou pela ex.

Nessas horas você pensa “claro. Senão ele falaria ‘Gisele’ e não ‘minha namorada’. Por que não pensei nisso?”’. Posso imaginar daqui as risadinhas do além…

– Nossa… Como as coisas mudam em tão pouco tempo!

“Até um minuto atrás, por exemplo, eu ainda queria viver, já agora…”

– Eu o vi sábado também. Eu estava no bar que ele foi com aquela lá…

– Ah, que bom que vocês estão amigos então.

– Amiga? Daquele canalha?!?! Nem pensar. Eu fui lá para flagrar ele com a ex. Ele jurava que não saía mais com ela.

“Por Deus (mesmo!). Não vou dar uma dentro hoje?”

– Nossa… Mas, a essa hora da noite, e a gente se encontra no metrô, não?

– É. Está tarde mesmo. Liguei para a minha mãe e ela disse que vai até para o portão já esperar a redonda. Preciso chegar rápido em casa.

– Mas o que é isso, Gi. Eu acho que você está ótima. Assim, claro que as mulheres sempre querem emagrecer… Mas não deixe sua mãe te chamar assim não… Redonda… Onde já se viu?

“Boa! Elogie uma mulher que você se dá sempre bem”

– O QUÊ?!?! Estou falando que minha mãe foi esperar a pizza chegar, porque está tarde, ela já até fez o pedido antes de eu chegar!!

Depois disso, chega a sua estação. Você se despede e pensa “por que eu? Por que agora?”

Nesse momento, alguém ri com a mão na barriga em frente ao seu tabuleiro…

– Deus?

– Sim

– Com licença. Vim ver o pedido. O chefe já está chegando. Está tudo pronto?

– Sim. Aqui está.

– Mas e essas partes sem pintar?

– O QUÊ?!? Como não vi isso? Meu Eu! Meu Eu!… Não posso dar o braço a torcer para ele. Para ele não… Tenho uma idéia…

– O que você vai fazer?

– Me passa a tinta verde. Pronto! Alimentos verdes. Perfeito! Me passa o pote de sabor.

– Acabou!

– COMO?!?!

– Si, está vazio.

– Droga! Droga! Já sei… Vou deixar isso sem sabor. E vou tirar o saudável de algum lugar…

– O quê?

– Daqui! Churrasco, Feijoada e Porções de bares… Sem saúde! Feito.

– Mas Deus…

– Pense. Uns sem sabor, outros sem o saudável… É justo.

– Não vai dar certo…

– Não há mais tempo… Estou com passagem comprada. Amanhã eu viajo. Ele não vai notar, se você não contar… E…

– Não contar o quê? Atrapalho alguma coisa?

– Chefe?!?! Que rápido!

– Jamais! Não atrapalha em nada… Entre!

– O que vocês não podem me contar?

– Do brinde que eu ia dar… Mas você estragou a surpresa… Mas tudo bem. Aqui está o mundo… E aqui está o seu brinde…

– Hum… Muito bom. Bom trabalho. Mas… O que é esse brinde?

– Se chama Enxofre. Fiz a mais para você. Se ferver e passar isso todos os dias, no banho, seu aroma atrairá mulheres.

– Atrairá?

– Todas elas!

– Verdade?

– Claro… Afinal, eu que inventei! Leve junto com a encomenda. É por conta da casa.

É… E ele acreditou… Deus é um fanfarrão…

Autor: Thiago Petrin

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O Burro e a cenoura

A minoria das pessoas é diferenciada por alguma capacidade de fazer algo realmente expressivo e de certo sucesso. As pessoas são meras coadjuvantes da vida alheia quase que o tempo todo, servindo de entretenimento, e, sinceramente, não vejo mal algum em admirar isso. A limitação da maioria acaba provocando um espetáculo de tragicomédia social. Ricardo Reis está certíssimo em dizer que o mundo é para ser assistido, afinal, se eles distraem você, por que não aproveitar? O tempo passa voando assim.

Isso não é diminuir, tampouco humilhar ninguém. É apenas um posicionamento social, aproveitando de cada um aquilo que podem oferecer. E eles alcançarão seus feitos também, ora essa. São coadjuvantes para mim, mas eles também têm os seus. Você acha errado colocar uma cenoura pendurada à frente de um burro, para que ele te leve a algum lugar? No final, ele pega o vegetal e você chega ao seu destino. Então! Uma hora eles também pegarão a cenoura.

Thiago Petrin França

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Ouvidos

Beethoven era um rapaz tranquilo. O nome, dado pelo avô – um dos músicos mais conhecidos da boemia carioca da década de 50, o obriga sempre dar a mesma resposta, para a mesma pergunta:

– Não, não toco piano. Meu avô que gostava de Beethoven.

Dizia não gostar de música clássica, mesmo sem nunca sequer ter tido o trabalho de ouvir alguma vez com atenção. O trauma de sempre ouvir as mesmas coisas, trocadilhos, piadas sobre seu homônimo o fazia distanciar da arte composta séculos atrás. Não preciso dizer que tampouco Beethoven tinha cachorros em seu apartamento.

Beethoven tinha uma vida comum. Próximo dos seus 30 anos, não dava ouvidos para aqueles que diziam a ele que precisava se ajeitar na vida, ter mulher, filhos, ou como dizem, constituir família. Andava noite adentro, pelos bares com amigos, aproveitando as malícias alheias. Não importa o estilo da casa noturna, não saía de casa para ouvir música, mas sim, para se divertir. Pessoas próximas admiravam seu jeito de levar a vida. Sempre alegre, risonho, o famoso “boa praça”.

Para o escritório em que trabalhava, dava adeus em meio a prantos falsos diariamente, arrancando risos daqueles que viam a cena. Porém, dessa vez, ao descer as escadas do prédio (os elevadores demoravam demais para alguém que deseja mais do que tudo a rua), Beethoven ouve algo. Um sussurro, com um tom de queixa. Olha para trás, para, pensa, ri e continua. Mas a voz volta e Beethoven, ao prestar atenção, consegue entender o desabafo “perdi o controle sobre ele, não consigo mais… fechei-o em um mundo que ficaria forçado tirá-lo. Terei de matá-lo”.

Ao ouvir isso, Beethoven olha desesperado para os lados. Uma estranha sensação o faz crer que a ameaça é para ele. Sente-se acuado. Assustado, procura a polícia.

– Eu sei que parece loucura, mas ouvi uma voz dizendo que tenho de morrer.

– Certo. Bom, senhor…

– Ah, sim, Beethoven

– Hum… O senhor toca piano?

– Não. Não toco. Mas eu não vi quem disse isso.

– Deveria tocar. É muito difícil tocar piano. A minha tia sempre quis me ensinar mas…

– Desculpe, senhor delegado, mas eu gostaria mesmo de saber o que eu faço.

– Pode entrar em uma escola. Nunca é tarde para aprender a tocar…

– Não. Isso eu sei. Quero dizer sobre o que eu ouvi.

– Olha, se você não viu quem disse, fica complicado ajudar. Acredito que seja estresse, afinal, ninguém sai falando essas coisas do nada. Pode ter sido algo da sua cabeça, um dia pesado no trabalho…

– Pode ser. Bem, muito obrigado.

Beethoven sai da Delegacia um pouco mais tranquilo, porém aquela frase ouvida ficava como um hit pop, repetindo e repetindo em sua mente, mesmo quando queria esquecer.

Voltando para casa, estava mais sossegado. Atravessando a passarela, porém, ouve novamente a voz. “poderia se jogar daqui de cima, mas não seria prudente…”. Beethoven então se desespera. “Como?”, pensava ele. Correu o restante da passarela, parou na banca de jornal do outro lado da movimentada avenida.

– Por favor, muitas pessoas se jogam dessa passarela?

– Por que quer acabar com a sua vida assim, menino?

– Não, meu senhor. Não quero me jogar é que…

– Como se chama, rapaz?

– Beethoven, mas isso não importa… é que…

– Você toca piano?

– Não, não toco, mas eu ouvi uma voz…

– Olha, menino, dê valor para a sua vida. Não a jogue fora por qualquer problema.

Visto que o caminho seria o mesmo do delegado, Beethoven desiste e simplesmente sai andando, sem dar mais ouvidos ao jornaleiro.

O apartamento vazio lhe trazia um silêncio insuportavelmente barulhento para seus ouvidos. Aquele desespero de não saber de onde vinha aquela voz. Aquela voz…

Ao ir para a janela, a fim de tomar um ar, ouve novamente a voz. “Suicídio? Não! Mas pode beber até a embriaguez o fazer cair da janela… Será?”. Beethoven se desespera. Pega sua garrafas e as joga no lixão do prédio. Toma água com certa dificuldade na tentativa de se acalmar. Decide então procurar uma resposta para isso. Concentra-se, fecha os olhos, não pensa em mais nada… Começa assim a ouvir mais e mais desabafos. Sim… Alguém tenta matá-lo, mas quem?

“Não posso decepcionar dessa vez. A editora tem que publicar… Eu sempre, sempre acabo caindo no mesmo problema. Fico presa à personagem e acabo dando finais óbvios. Mas dessa vez não! Vou matá-lo. Mas… como?”

Beethoven não entende aquilo que ouve. Como assim? Sempre? Personagem? Enfim, decide concentrar-se novamente.

“Não posso ter outro fracasso como em Dia e noite, macabra sensação”

Um estalo! Sim. Beethoven leu este livro. Procura tresloucado o livro em suas gavetas, no fundo de suas caixas. Tratava-se de um livro chato e insosso, em que as personagens eram todas iguais. Na metade do livro, Beethoven adivinhara o desfecho, passando as páginas apenas para ver se haveria alguma mudança bruta. Ele não acha o livro. Tem outra ideia e liga para o seu amigo Ricardo, crítico literário de um jornal da cidade, e pergunta sobre este título.

– Hum… Foi um fracasso. O livro era chato. Massacrei ele.

– Mas teve alguma consequência a carreira dessa mulher?

– Olha, ela ficou marcada, mas dizem que está escrevendo outro livro que será bombástico e…

– Sabe o nome dessa mulher?

– Sim. Francisca Teófila Xavier

– Obrigado!

E desliga o telefone. Apesar da ideia maluca em sua cabeça, decide procurar ajuda profissional. E nada melhor do que uma astróloga, com ênfase em numerologia, e especializada em metafísica contemporânea para ajudar. Era a namorada do primo de seu amigo da época de faculdade.

– Olá.

– Olá. Prazer, Beethoven.

– Ah, você toca…

– Não. Não toco.

– Ah… devia tentar apren…

– Eu sei… pensarei sobre. Mas podemos falar do meu problema?

– Ah, sim. Claro… Me desculpe. Olha, eu não vejo muitos casos como o seu, mas as suas energias, de alguma forma se cruzaram e a fizeram escrever alguém com a personalidade idêntica à sua, criando um magnetismo fictício-real que os estudos sobre o ser e seu universo paralelo mal conseguem explicar, mas o chamam de “paralelismo fictício-real…”

– Sério?

– Sim.

– E como eu faço para ela não me matar?

– Sério?

– O que?

– Que está me perguntando isso.

– Claro. Como eu faço?

– Ué, fala para ela para não matar a personagem…

– Simples assim?

– Sim.

– E como a encontro?

– Procurando…

E com o suspense em seu semblante, se despede de forma gestual de seu cliente… Claro que cobrando pela consulta.

Beethoveen passa dias de angústia, concentrado e esquivando-se de qualquer perigo do acaso. “Como vou sair dessa?”. Cansou de procurar o endereço da escritora. Não podia deixá-la encerrar o livro, caso contrário, o mataria. Decide então uma última tentativa, liga novamente para Ricardo.

– Você está louco Beethoven?!?! Elogiar aquela porcaria?

– Por favor!

– E por esse motivo maluco? Jamais.

– Eu sei, Ricardo, mas… Por favor…

– Olha Beethoven… Ok… Eu elogio.

– Lembra de tudo que eu disse, não?

– Sim, sim. A distribuição perfeita das personagens, o suspense, que espero que o próximo seja tão bom quanto e blá blá blá.

– Obrigado.

Beethoven aguarda ansioso sua mente trazer notícias da Serial killer de personagens. No dia seguinte, a notícia telepática vem. “Idiotas!!! Todos idiotas!!! Acham que me enganam? Vermes. Vou matá-lo, e matá-lo agora mesmo.”

Insanamente começa a escrever e Beethoven perde o controle de seu corpo. Levanta-se do sofá, corre em direção à janela e se atira. Ao chocar-se com o chão, ele acorda assustado. Olha para o lado e vê o convite para o lançamento do novo livro de Francisca Teófila Xavier, que Ricardo negara-se a ir devido às rusgas criadas pelas críticas da criação anterior da autora. Apesar de ter sido um pesadelo, sente-se finalmente salvo. Mas, quem seria essa assassina ocasional? Decide então ir ao lançamento. Afinal, além de conhecê-la de perto, um coquetel nunca faz mal.

Quando do lançamento do livro, Beethoven vai até a autora pedir um autógrafo. Prefere ser o último, para ter mais tempo para a sua análise. Depara-se com ela. Uma das mais lindas mulheres que já viu em sua frente. Seu queixo caído quase o impede de dizer…

– Oi

– Olá, autógrafo?

– Sim. Por favor…

Seus olhos vidraram naquele sorriso…

– Nome?

– Oi? Ah, sim, Beethoven.

– Bom gosto. Adoro piano.

– Obrigado. Meu avô que escolheu? Você toca?

– Um pouco. E você? Toca?

– Começarei aulas semana que vem. Deve estar morta de cansada de dar autógrafos. Não quer tomar algo depois da sessão?

– Claro.

É… Algumas coisas mudam de uma hora para outra…

 

Autor: Thiago Petrin (Baseado no filme “Mais estranho que a ficção”)

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Dia Internacional da Mulher

É inerente a afeição pelas mulheres

Vem do inconsciente do bom gosto

Que surge mesmo que sem querer

Sem pensar

E, quando percebemos,

Estamos respirando mais fundo

Boquiabertos

Parados

Pensativos

Com mais perguntas do que respostas

Afinal, somos mais retos

Impossível entender a complexidade de tantas curvas

Sejam elas nos gestos

Nos traços

Nas soluções

Com certezas que apenas vão em direção à admiração

Só nos resta então agradecer

Vocês fazem muito bem para o mundo

 

08/03-Dia Internacional da Mulher

 

Autor: Thiago Petrin

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